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Síndrome pré-menstrual na prática de Esportes

 

A inserção das mulheres brasileiras no mundo da esporte data de meados do século XIX. No entanto, é a partir das primeiras décadas do século XX que a participação se amplia, adquirindo maior visibilidade, juntamente com os ecos das lutas femininas vindos da Europa. Os benefícios da atividade física são comprovados em ambos os sexos, porém, a mulher apresenta aspectos próprios que incluem variações no perfil hormonal, incidência de afecções próprias ao gênero, além das respostas fisiológicas e orgânicas ao exercício.

As moléstias perimenstruais são classificadas em: síndrome prémenstrual (SPM), síndrome intermenstrual (SIM), disforia luteal, dismenorreia e depressão do climatério. A síndrome pré-menstrual agrupa mais de 150 sintomas, que ocorrem de maneira variada e inconstante. Inicialmente, a chamada tensão pré-menstrual (TPM) foi identificada como uma entidade clínica, quando, em 1931, Robert Frank a descreveu como um estado de irritabilidade e sentimento de desassossego e mal-estar de indescritível tensão, que se apresenta sete a 10 dias antes da menstruação.

Embora a prevalência verdadeira da SPM seja desconhecida, no Brasil, estudos mostram que entre 8% e 86% das mulheres apresentam alguma alteração, dependendo da intensidade dos sintomas.

A população do estudo foi constituída por 31 estudantes atletas praticantes de handebol, com idade variando entre 12 e 18 anos. Instrumento para coleta dos dados: Foi utilizado um Diário de Sintomas Pré-Menstruais (Daily Symptom Report - DSR), publicado por Freeman et al. e validado no Brasil por Vieira Filho et al., por três meses consecutivos, iniciando a partir do primeiro dia do mês.

Observaram-se como sintomas mais frequentes: irritabilidade (86,4%), mudança de humor (77,3%), cólicas (72,7%), ansiedade (68,2%), choro fácil e tensão nervosa (63,6%), compulsão por alimentos e dores contínuas (59,1%), dor de cabeça e fadiga (54,5%), “seios” doloridos (45,5%), depressão (40,9%), insônia (38,1%), sensação de perda de controle (27,3%), confusão (22,7%), má coordenação e inchaços (18,2%). Outros sintomas são relatados por 59,1% das atletas, incluindo cabelos oleosos, acne, tontura, ânsia e euforia.

Embora ainda existam dúvidas de como o ciclo menstrual afeta o desempenho e o rendimento físico de atletas, a literatura sugere uma tendência de melhora no desempenho físico na fase pósmenstrual.

Sabe-se que os hormônios femininos, estrogênio e progesterona, têm efeitos potenciais sobre a capacidade de desempenhar um exercício através de inúmeros mecanismos, provocando diferenças de gênero em relação ao metabolismo, função cardiorrespiratória, termorregulação, fatores psicológicos, entre outros. Por conseguinte, as alterações hormonais podem modificar o desempenho atlético ao longo de todo o ciclo menstrual.

Por esse motivo, treinadores devem estar atentos para adequar os exercícios às fases do ciclo menstrual de cada atleta, bem como procurar o auxílio de um médico que oriente sobre a possível ocorrência da síndrome pré-menstrual nas que apresentem alteração de rendimento de maneira cíclica.

 

Fonte: David AM, Di Bella ZJ, Berenstein E, Lopes AC, Vaisberg M. Incidência da sindrome pré-menstrual na prática de Esportes. Rev Bras Med Esporte 2009: 15(5):330-33.