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Impacto femoroacetabular (FAI)

O conceito atual é que o impacto femoroacetabular é uma condição que resulta do contato anormal entre a cabeça do fêmur e a borda acetabular, que leva a um conflito mecânico causador de microtraumatismos aplicados no labrum e cartilagem acetabular que provocam lesões nessas estruturas. Geralmente o impacto decorre de alterações na transição colo-cabeça e/ou no acetábulo. Entretanto, pode ocorrer em quadris morfologicamente normais, mas que são submetidos a grandes demandas físicas associadas a repetidos movimentos de flexão.

Entretanto, a noção de impacto no quadril não é nova. Uma das antigas referências a essa condição é atribuída a Smith- -Petersen, em 1936, que a descreveu como resultante do choque do colo femoral contra o acetábulo e identificou as causas como provenientes de alterações femorais ou acetabulares.

No quadril normal, além da cobertura adequada da cabeça do fêmur pelo acetábulo, é importante existir a concavidade ou recuo (offset) cervicocefálico, isto é, a diferença de altura entre o colo do fêmur e a borda esférica da cabeça femoral. A diminuição do offset provocada pela perda da esfericidade da cabeça femoral é causada por extensão anômala da epífise proximal do fêmur principalmente na região anterossuperior. O impacto pode surgir quando o recuo está diminuído, ou mesmo invertido, pela presença de saliência no colo do fêmur, que irá golpear a margem do acetábulo à flexão e rotação interna do quadril. Esse tipo de efeito chama-se cam e a deformidade que lhe dá origem é em cabo de pistola (pistol grip).

Quando as anomalias são predominantemente acetabulares o efeito é do tipo pincer. Essas alterações decorrem de casos com coxa profunda ou protrusa, em que a cabeça femoral está excessivamente contida pelo acetábulo, por retroversão acetabular, que pode ser constitucional, ou de osteotomias pélvicas, como a de Salter ou tríplice.

 

Tratamento

Quando a sintomatologia é típica e o diagnóstico firmado pelo exame de imagens, é consenso que deva ser feita intervenção para prevenir o início ou impedir o avanço da osteoartrose. Tratamentos com manipulação (quiropraxia) e fisioterapia podem piorar a sintomatologia. Entretanto, fica difícil estabelecer o tratamento quando a artrose já está avançada. Nessa condição deve-se considerar a possibilidade de artroplastia, mas isso depende do perfil do paciente, do tipo de sintomatologia e do grau de incapacidade.

Mesmo assim, um tratamento cirúrgico menos agressivo, geralmente artroscópico, com retirada dos bloqueios, desbridamento ou reparo do labrum e desbridamento articular, pode propiciar alívio, principalmente em pessoas mais jovens.

Não há consenso se devem ser tratadas pessoas assintomáticas apenas com base na imagem ou aquelas em que foi constatada lesão assintomática isolada do labrum. Isso vale dizer que muitos indivíduos apresentam imagens sugestivas de FAI, mas sem qualquer sintomatologia clínica.

Considerações Finais

O impacto femoracetabular é entidade clínica bem definida, em que há alterações morfológicas, constitucionais ou adquiridas que, associadas a movimentos de repetição do quadril, podem levar à lesão do labrum e da cartilagem acetabular, com artrose subsequente. A sintomatologia expressa-se por dor e limitação de movimentos, que pioram progressivamente, e o tratamento efetivo é pela correção cirúrgica das anomalias anatômicas. Entretanto, mais estudos são necessários para definir bem a população de risco, aqueles que devem ser tratados e qual a melhor abordagem, em temos de tratamento. Assim, seguimentos maiores tornam-se necessários não somente para avaliar resultados, mas também para conhecer melhor a evolução natural da afecção.

Fonte: Volpon JP. Impacto femoroacetabular. REV BRAS ORTOP 2016; 51(6):621–29.